Suficiência

Suficiência

Ao iniciar este artigo dei uma olhada rápida no Google para buscar referências que dessem colorido ao texto. Imediatamente digitei: suficiência conceito. Recebi como resposta “Você quis dizer: deficiência conceito”.

Logo após vieram as respostas solicitadas sobre Suficiência. Isso me fez pensar que o conceito de suficiente se perdeu ao longo de tantas novidades tecnológicas e tantas escolhas disponíveis em nossa sociedade líquida como bem descreveu o sociólogo inglês, Zygmunt Bauman.

O fato é que não estamos acostumados com esta ideia de Suficiência. Vivemos no superlativo e acreditamos que esse é o modo padrão, que esse é modo básico: Ter tudo o que queremos, agora, ao mesmo tempo. A artificialidade e agitação permanente tomaram o lugar das experiências serenas e introspectivas. 

Reduzir nossos desejos e vontades e primarmos por uma análise de nossas prioridades e valores fundamentais, nos levará a descobertas maravilhosas sobre quem somos, o que nos faz felizes e como podemos alcançar este estado.

Vamos perceber, por exemplo, que a balada de sexta à noite pode ser substituída facilmente por um bom filme com uma pessoa querida, ou por um bate papo em um local aconchegante.

Vamos perceber que correr para atender todas as demandas pode ser substituído por uma seleção cuidadosa dos compromissos a serem assumidos e, talvez, a eliminação de muitos deles da nossa agenda.

O fato é que, em uma vida repleta de atividades e compromissos, poucas vezes notamos o acréscimo de atividades, coisas, tralhas e excessos. Em uma experiência realizada pelo médico alemão Ernst Weber, foi pedido a voluntários que, fechassem os olhos e segurassem pesos nas mãos.

O médico queria saber quanto peso precisaria ser acrescentado para que as pessoas percebessem que o peso havia aumentado. Ele chegou a conclusão que, segurando um peso de 3 quilos, pelo menos um décimo disso (300 gramas), precisariam ser acrescentados para que a pessoa percebesse o aumento do peso. 

E quanto a nós? Quanto de compromissos, tralhas, dívidas, atividades precisam ser acrescentadas para que possamos perceber que nossas vidas estão lotadas? Cheias? Abarrotadas daquilo que, muitas vezes, não nos traz felicidade genuína?

Posso dizer que não existe uma fórmula padrão para sermos considerados ‘minimalistas’. Não existem títulos, requisitos mínimos a serem cumpridos, tampouco alguém virá nos reconhecer como tal.

É necessária apenas essa consciência de que menos quase sempre é mais, de que podemos viver com o suficiente. E, principalmente, que podemos ser mais felizes com a simplicidade e com a suficiência de todas as coisas e sentimentos.

O conhecimento seguro dos desejos leva a direcionar toda escolha e toda recusa, para a saúde do corpo e para a serenidade do espírito, visto que esta é a finalidade da vida feliz.

Epicuro

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